segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

NOSSOS VELHOS



Pais heróis e mães rainhas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.

A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele.

Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.

Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.

Autora: MARTHA MEDEIROS

2 comentários:

  1. Olá minha querida amiga! Também não te esqueço. Sinto saudades de voce e espero que tenhas recuperado a saúde. Graças a Deus, passei um Natal feliz em família, mas com um braço imobilizado, por causa de uma queda que sofri. Nada grave, só repouso... enfim, tudo em paz, graças a Deus.
    Rô, quero te desejar um Natal com muito amor e harmonia familiar, amiga.Daqui, te mando um grande abraço, cheio de carinho. Deus te abençoe, sem medidas.Bjs.
    Josi

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  2. Oi Rô! Muitas saudades, amiga!!!
    Vim desejar
    "Paz para voce e família, em 2012...
    Construir a paz é algo ativo, que exige um diálogo intenso e uma escuta carinhosa. A paz nasce dentro de nós e entre nós, quando permitimos que DEUS reine em nós. Ele é a verdadeira fonte de paz!"
    Feliz Ano Novo!
    Bjs. Josi

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