O TEMPO E AS JABUTICABAS [ Rubem Alves ] Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.' O essencial faz a vida valer a pena.


sábado, 28 de junho de 2014

Felicidade na sua porta Oi! Muito prazer! Meu nome é Felicidade. Faço parte daqueles que têm amigos, pois ter amigos é ser feliz. Faço parte da vida daqueles que acreditam que ontem é passado, amanhã é futuro e hoje é uma dádiva. Por isso se chama presente. Faço parte da vida daqueles que acreditam na força do amor, que acreditam que para uma história bonita não há ponto final. Sou casada, sabiam? Sou casada com o Tempo. Ah! Meu marido é lindo! Ele é responsável pela resolução de todos os problemas, cura machucados, vence a tristeza... Juntos, eu ( Felicidade ) e o Tempo tivemos três filhos: a Amizade, a Sabedoria e o Amor. A Amizade é a filha mais velha, uma menina linda, sincera e alegre. A Amizade brilha como o sol, une as pessoas, pretende nunca ferir, sempre consolar. A do meio é a Sabedoria. Culta e íntegra, sempre foi mais apegada ao pai, o Tempo. A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos! O caçula é o Amor. Ah, como esse me dá trabalho! É teimoso. Às vezes, só quer morar em um lugar. Eu vivo dizendo: - Amor, você foi feito para morar em dois corações, não apenas em um. O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo. Quando ele começa a fazer estragos, eu chamo logo o pai dele, o Tempo, e aí o Tempo sai fechando todas as feridas que o Amor abriu! Uma das pessoas mais importantes na vida me ensinou uma coisa: - Tudo, no final, sempre dá certo. Se ainda não deu, é porque não chegou ao fim. Por isso, acredite sempre na minha família, acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e, principalmente, no Amor. Aí, quem sabe um dia, eu, a Felicidade, não bato na sua porta?


Eu posso escolher. Posso escolher me aborrecer, me entristecer,ou me encolher até virar um caramujo, e desaparecer . Posso escolher isso, e outras coisas também. Posso escolher me entreter, me envolver, e me deter em outras tantas milhares de coisas muito melhores e não sofrer. Eu posso escolher. Preciso apenas crer para ver que sim, eu posso escolher. Posso escolher oque pensar, custe oque custar. Custe muito penar, ou pesar, mas eu posso aprender. Aprender a escolher. Eu posso escolher melhor. Posso até escolher melhorar. Posso escolher que não vou permitir rebaixar, mesmo que, às vezes, a vida resolva mostrar certas coisas e eu precise chorar. Eu posso escolher a inteligência, ao invés da esperteza. Posso escolher a calma, e deixar pra lá a ansiedade que cega. Posso escolher deixar para lá, mesmo que isso signifique, até mesmo, me isolar. Eu posso escolher o movimento inverso. Posso dar prosa ao verso.Ao estranho com quem não converso. Eu posso escolher estranhar sem com isso me decepcionar. Posso escolher correr se eu quiser, e posso simplesmente escolher repousar o tempo sobre um leito de pensamentos calmos e rosados e dar um tempo pra que ele, o tempo, se sinta revigorar. Eu posso escolher abandonar. Largar mão do que me deixa louca de tanto penar, e tocar o bonde para outro lado, para o lado de lá, eu posso escolher oque vai me agradar. E posso escolher me doar. Sem com isso esquecer que sou a primeira pessoa que devo amar. E posso escolher não me magoar.Tanto. Ou, bem menos, ou ainda ignorar as coisas com as quais não concordo, e posso até concordar que é meio dureza, que escolher não é lá um negocinho tão simples, , nem fácil, nem mágico, e aceitar que o escolher se aloja em algum lugar entre o crescer, sem ter medo do que pode acontecer quando a gente resolve, pura e simplesmente escolher.Eu posso reconhecer que me preciso me conhecer. Melhor. Mesmo que isso indique que preciso mudar um pouco. E me amar mais do que pouco. e relaxar. E me esticar. Me alongar. Ampliar meus conceitos e meus tantos preconceitos largar. Eu posso escolher. Ajudar. Ou pelo menos, não atrapalhar. Eu posso tudo desde que eu escolha bem. E para que isso aconteça, só uma coisa eu não posso esquecer: existe o outro além do meu próprio ser.-----------* fece / um lugar ao sol .